Por Marcos Aráujo
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quinta-feira, 8 de novembro de 2012
videogames
terça-feira, 16 de outubro de 2012
é o grito
É grave o nosso estado de greves de fome de gente que pensa. É grave a FIFA querendo invadir a dispensa e jogar fora o prato da casa, sentar na mesa, por os dois pés no sofá, é grave tanto jingle eleitoral, tanto panfleto entupindo a boca de lobo que não se cala mais que muito cidadão, que entope e cospe essa sujeira que parece correr nas nossas veias. Tão grave é ninguém se importar, com nada e com que quase ninguém, amar a tudo que não prospera, tudo que passa e não deixa mais que marca pueril, o consumismo desalenta, a esperança não satisfaz mais, é tanta vírgula violentando as reticências que nunca darão um fim na gravidade dos fatos que se escondem nessas palavras malcriadas. É grave tantas greves e não são por acaso, aliás, nada é por acaso, e não é por desamor ao homem que vejo com descaso a matéria da Folha velando o nababo carbonizado na milionária lamborghini incendiada no estreitamento funesto da estrada, sorte é de quem não estava lá, no malsinado fato pra ver seu brio ceifado pelas mãos d'outro Thor Batista, e virar estatística pra nossa gente ver e esquecer. Tenho medo do que é grave é ninguém liga, principalmente dessa chacina intelectual assistida do primeiro ao terceiro P(h)oder que festeja o coma do povo
Por Marcos Araújo
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
casarão
De madrugada não é hora de
arrumar a casa, nem de lavar a roupa suja acumulada, é tempo de silêncio no
qual o corpo sente a euforia dessa angústia de querer fazer tudo numa só hora. Abro
as janelas, ligo a TV, leio escritos doutra vida em que chorava à toa, sem
saber por que chorava. A vida era boa e olvidei, agora vivo omisso com a luz
apagada e não enxergo a balbúrdia da casa que grita, ulula, e pede com fala
mansa pra reconstruir-se sobre si. Desarrumada que está, ora, pois, pouco me
agrada. Tomba a estrutura deixa ruir
essa essas paredes que sequer me comunicam o lar, deixa que baguncem, deixa
bagunçar e ruir até o final, até tombar, não vou me levantar com a intenção de
fugir, vou ficar aqui sem arrumar a casa. Eis que desaba o teto que acalentou, se
esvaiu o chão que sustentava, e nada restou da bagunça, tampouco dos
esconderijos da casa, nada resta além da lágrima falada.
Por Marcos Araújo
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
para não perder o pensamento

Com certa tirania da minha percepção não posso deixar de reconhecer que o sistema operacional do smartphone que uso é mais dinâmico do que muitas pessoas que se situam no tempo e no espaço repetindo mandamentos tenros, executando tarefas descontextualizadas do todo sem saber pensar em si como parte integrante de um sistema que é contínuo pela existência e hierárquico pela própria natureza. Repetir certos comportamentos me inquieta até mesmo quando medram de um fato cultural, isso sempre traz uma dose de temerosidade. Se o mundo é heteronormativo, se as relações se espraiam no elitismo, se é obrigação fazer o sinal da cruz e pedir misericórdia à Santa Trindade toda vez que passar na frente da igreja, eis meu prognóstico, e meu autismo voluntário.
Por Marcos Araújo
domingo, 12 de agosto de 2012
res publica
Ao caminhar pelas ruas e ouvir os
inúmeros jingles eleitorais, os panfletos espalhados enxovalhando a Av. Manoel
Dias, os diversos comitês espalhados pela cidade, e já perceber o item negocial
típico das eleições que vincula o mau eleitor ao gestor pernicioso, é que
afasto as últimas dúvidas quanto ao crescente interesse das pessoas em se
ocuparem das atribuições de vereadores, prefeitos, disputando a res pública, ou seja, a coisa pública,
como leões famintos disputariam um pedaço de picanha, melhor, como a população soteropolitana
disputa diariamente um cantinho onde possa se equilibrar no transporte coletivo
que promete perpetuar seu desserviço para a cidade por mais cinquenta anos se
depender das articulações sociais.
Decerto que a participação do
povo nas eleições fomenta a natureza democrática do nosso Estado, que ainda nós
compele a sair às ruas nos dias de eleição, é de se questionar o preparo que a
maioria desses cidadãos possuem para lidar com o patrimônio público, exercer a
função pública em nosso nome, e, portanto nos servir, debruçando-se sobre parte
da autonomia e do poder político conferido a eles através de nosso voto e sob a
proteção da Constituição Federal, a Lei Maior. Poucos candidatos elegíveis não
indicariam preparo ou qualidade, todavia, a multidão destes que se asseveram pode
revelar que a satisfação particular de estar investido em relevante posição
política, social e econômica esta à frente do interesse público, até mesmo
neutralizando a real preocupação em gerir cada vez melhor um contingente urbano
maltratado, mitigado e desiludido.
A criação de uma lei, por
exemplo, envolve articulação política de pessoas que elegemos para editá-las.
Podemos considera-las como fruto de um contrato do corpo social para com o
Estado, e essa é uma concepção moderna, ou imaginar como preleciona Duguit, que
as leis não são senão o reflexo da vontade do legislador dotado de poder para comunicar-lhe
uma função. É o bem comum que precisa ser fomentado, a sociedade precisa da
proteção do Estado que vai da segurança jurídica a segurança pública. O fronteiriço
terreno da resiliência já foi ultrapassado e já não há mais espaço para tanta
verba pública na cueca, para a criação de projetos de lei que jamais poderiam
ser consolidados tão somente para captar votos e mais votos de uma população
aculturada e espezinhada do alto de sua inação. Se política e negócio fossem a
mesma coisa a gramática informaria a ambas ao menos a condição de sinônimos.
Por Marcos Araújo
Por Marcos Araújo
terça-feira, 17 de julho de 2012
verborragia
Há uma faca apontada na minha cara, mas é a frase que corta primeiro, pega mal, contudo há de fato uma faca afiada, apontada, ainda que a frase não seja eufônica, ela anuncia o final, digo - não se afasta -, mas me refiro à faca que me aponta feito dedo indicador, punhal. Um punhado de raiva encetando o cometa que rasga as horas, todo minuto se torna ano ante essa má sorte de viver com a maldita na cara, às claras, apontada, pronta pra sangrar mais uma palavra desacertada que também vai ferir, e arrancar do peito um coração com espada, sem lâmina e sem fim, essa é a palavra que agrega a construção ao dom de destruir. Aponta, e faz sangrar, pior que faca amolada.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
IN
É neste interím incauto que me
assombro sempre, na madrugada não há luz que me ilumine, nem passos que
libertem minha trilha, tudo se transforma em via crucis, e o fardo é sempre
pesado demais sob a cabeça que também é mundo, é fundo de caixa rasgada espezinhando
minhas emoções e atirando-as num breu, relento. Lamento que nem todos os
tormentos possam sair e vagar alhures, não há tempo aqui, nem em mim, para
digerir essa cólera habitual, essa avidez caústica que comunica tudo o que não
foi em minha vida, mas se fez pra você em carne, osso e coração. Sobra aqui a
saudade que invade essa nefasta hora de não ter vivido o tempo em seu tempo (meu melhor conselho); e
a angústia travestida de tudo quanto puder conceber, dizendo saber que o ajuste
dos ponteiros não foi mais que mera conveniência. Não foi necessidade, não é
questão de aparência, tudo resvala no fato de ter cansado dos “nãos”, e embora
não tenha sido vencido, é no manto estrelado que afaga e penteia a madrugada que habito sem
dormir, sem viver, e frequentemente sem me visitar.
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